Segurança no trânsito vira alerta diante do aumento de acidentes em Euclides da Cunha; Motociclistas sem capacete lideram as infrações

O aumento do número de sinistros e acidentes de trânsito em Euclides da Cunha, acende um alerta para autoridades e também para a população.

De acordo com dados do Relatório Estatístico de Sinistros de Trânsito 2025, elaborado pela Diretoria de Trânsito e Transporte (DTTEC) do município, o crescimento das ocorrências, especialmente envolvendo motocicletas, vem aumentando, evidenciando assim, um impacto direto na saúde pública.

Segundo o levantamento, o município que possui população estimada em 64.768 habitantes – conforme dados do IBGE (2025) — registrou cerca de 207 ocorrências de acidentes ao longo do período analisado, resultando em uma média de 17 sinistros mensais. Do total de vítimas, 74,9% são do sexo masculino e 23,2% do sexo feminino.

Um dos dados que mais chama atenção é que 83% dos acidentes envolveram motocicletas, confirmando a tendência observada em praticamente todo o país. O relatório destaca que a motocicleta, apesar de ser um dos meios de transporte mais utilizados por seu baixo custo e agilidade, apresenta maior vulnerabilidade devido à ausência de proteção externa e à necessidade constante de equilíbrio dinâmico, o que aumenta o risco de lesões graves.

A análise mensal das ocorrências mostra picos significativos em meses como agosto (26 acidentes), novembro (23) e março e dezembro (21 cada), além da constatação de que a maior parte dos sinistros ocorre nos finais de semana, período em que o fluxo de veículos aumenta e a imprudência tende a ser maior.

Os números dialogam com um cenário ainda mais amplo. Dados do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) de Feira de Santana, apontam que municípios do interior da Bahia, como Euclides da Cunha, registraram centenas de internações por acidentes de trânsito em 2025, com 20 atendimentos hospitalares, ou seja, um número considerado expressivo e que reforça o impacto desses sinistros sobre o sistema de saúde.

O levantamento também aponta as infrações de trânsito mais recorrentes no município, evidenciando comportamentos que aumentam significativamente o risco de acidentes. Entre as principais irregularidades estão o transporte de passageiro em motocicleta sem capacete, que lidera as estatísticas com 485 registros (33,17%), seguido pelo estacionamento em fila dupla, com 315 ocorrências (21,55%).

Também aparecem com destaque o estacionamento em desacordo com a regulamentação de carga e descarga, com 79 registros (5,40%), a condução de motocicleta sem capacete de segurança, com 59 ocorrências (4,04%), e o estacionamento sobre ou ao lado de canteiros centrais, que soma 57 registros (3,90%).

Durante o debate sobre as ações para enfrentar o aumento dos acidentes, o secretário municipal de Segurança Pública, Defesa Social, Defesa Civil e Mobilidade Urbana (SEDESMOB), Janilsom Almeida, destacou que a educação será uma das principais frentes de atuação do município. Segundo ele, a proposta é levar agentes de trânsito às escolas, promovendo ações educativas dentro das instituições de ensino. “Vamos ter agentes de trânsito nas escolas para levar a educação no trânsito, educar crianças e adolescentes e ensiná-los sobre um trânsito mais seguro”, afirmou.

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O secretário reconheceu ainda que, apesar de Euclides da Cunha ter um grande número de habitantes, o município conta atualmente com um efetivo reduzido de agentes de trânsito e guardas municipais, o que reforça a necessidade de investimentos na área. De acordo com Janilson, a expectativa é que o concurso público para reforço do efetivo seja realizado até o final deste primeiro semestre.

A segurança no trânsito, no entanto, vai além da fiscalização e da ampliação do quadro de servidores. Trata-se de uma responsabilidade coletiva, que exige consciência, respeito e compromisso de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. Cada escolha feita nas ruas — como usar capacete, respeitar a sinalização, reduzir a velocidade e atravessar na faixa — pode significar a diferença entre preservar vidas ou ampliar estatísticas de dor. Diante do crescimento dos acidentes, o desafio de tornar o trânsito de Euclides da Cunha mais seguro se impõe como uma urgência social, que começa com educação, passa pela fiscalização e se consolida com atitudes responsáveis de toda a população.

Por: euclidesdacunha.com.br / Cláudia Xavier
Imagens: Leonardo Oliveira